A relação entre equipes de negócio e tecnologia costuma ser marcada por uma tensão natural: enquanto o produto precisa de agilidade, o time de TI busca garantir escalabilidade, segurança e padronização. O resultado costuma ser uma troca contínua de demandas e ajustes finos que consomem tempo, principalmente em empresas onde processos mudam com frequência e sistemas precisam se integrar constantemente.

Uma das ferramentas utilizadas para melhorar esta relação é o Qntrl, plataforma de orquestração  de processos e sistemas da Zoho Corp.  O Qntrl permite criar modelos de workflow por meio do Studio, um de seus módulos.

Para desenvolvedores, mais do que um ambiente de execução de automações e um pipeline de implantação, o Studio também funciona como um poderoso framework de extensões que podem ser reaproveitadas em mais de um fluxo de trabalho.

Por que utilizar extensões?

Em um fluxo de trabalho gerenciado pelo Qntrl, as extensões são soluções personalizadas para diferentes necessidades de negócio. Após serem testadas e homologadas, são hospedadas no Qntrl Marketplace, onde os usuários podem instalá-las e utilizá-las.

Assim, em vez de depender exclusivamente de TI para implementar integrações, automações ou validações complexas, as equipes de negócio passam a consumir blocos técnicos já construídos e versionados pelos desenvolvedores.

Caso a API mude no futuro, a equipe de TI ajusta apenas a extensão, e todos os processos que a utilizam são automaticamente atualizados. Desta forma, o negócio opera com autonomia enquanto os desenvolvedores garantem padronização e segurança.

Extensões no Qntrl

Um dos possíveis casos de uso é o de uma empresa cujo setor de compras precisa validar fornecedores em um sistema ERP antes de prosseguir com uma ordem de serviço. Tradicionalmente, este fluxo exigiria uma demanda para TI implementar uma integração em cada processo onde a validação fosse necessária.

Com o Studio, o desenvolvedor cria uma extensão única que encapsula a chamada à API do ERP, incluindo autenticação, verificação de status e retorno padronizado. Esta extensão é publicada no Studio, com versões, documentação e controle de acesso. A partir daí, qualquer processo que precise desta validação simplesmente adiciona a extensão ao fluxo, assim como adicionamos extensões ao navegador, por exemplo.

Utilizadas desta forma, as extensões evitam automações duplicadas criadas por diferentes áreas, regras divergentes e integrações feitas sob pressão. É um modelo que traz maturidade e previsibilidade para operações de TI, ao mesmo tempo em que preserva a velocidade exigida pelo negócio, permitindo uma colaboração mais fluida entre as áreas.

Criando extensões

Para começar a criar uma nova extensão no Studio, basta inserir um nome e uma descrição. É possível, ainda, fazer upload de um arquivo que contenha o código-fonte de uma implementação já realizada. 

 

 

Em seguida, o desenvolvedor pode configurar a extensão definindo tanto arquivos JSON quanto JavaScript. O arquivo plugin-manifest.json centraliza metadados essenciais, como localização do widget, integrações externas e campos personalizados que a extensão pode expor dentro do Qntrl.

 

 

Quando a extensão está testada, validada e empacotada, ela pode ser submetida ao Qntrl  Marketplace, onde passa por uma revisão técnica. Após aprovação, a solução é publicada e disponibilizada para clientes. Há também um guia completo para desenvolvedores com instruções passo a passo sobre todo o processo de criação de extensões no Qntrl.

Exemplo prático

O exemplo a seguir mostra o encapsulamento da lógica do caso de uso da validação de fornecedores dentro de uma extensão.

Após criar a extensão informando nome e descrição, o desenvolvedor pode criar um arquivo extension.js no seguinte modelo: 

/**

 * 𝚅𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊çã𝚘 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚛𝚗𝚎𝚌𝚎𝚍𝚘𝚛 𝚟𝚒𝚊 𝙰𝙿𝙸 𝚌𝚘𝚛𝚙𝚘𝚛𝚊𝚝𝚒𝚟𝚊

 */
𝚊𝚜𝚢𝚗𝚌 𝚏𝚞𝚗𝚌𝚝𝚒𝚘𝚗 𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊𝚝𝚎𝚅𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛(𝚛𝚎𝚚𝚞𝚎𝚜𝚝) {
   𝚌𝚘𝚗𝚜𝚝 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛𝙸𝚍 = 𝚛𝚎𝚚𝚞𝚎𝚜𝚝.𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛𝙸𝚍;
   𝚌𝚘𝚗𝚜𝚝 𝚛𝚎𝚜𝚙𝚘𝚗𝚜𝚎 = 𝚊𝚠𝚊𝚒𝚝 𝚏𝚎𝚝𝚌𝚑("𝚑𝚝𝚝𝚙𝚜://𝚊𝚙𝚒.𝚎𝚖𝚙𝚛𝚎𝚜𝚊.𝚌𝚘𝚖/𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛𝚜/" + 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛𝙸𝚍, {
       𝚖𝚎𝚝𝚑𝚘𝚍: "𝙶𝙴𝚃",
       𝚑𝚎𝚊𝚍𝚎𝚛𝚜: {
           "𝙰𝚞𝚝𝚑𝚘𝚛𝚒𝚣𝚊𝚝𝚒𝚘𝚗": "𝙱𝚎𝚊𝚛𝚎𝚛 ${𝚌𝚘𝚗𝚏𝚒𝚐.𝚊𝚙𝚒𝚃𝚘𝚔𝚎𝚗}"
       }
   });
   𝚒𝚏 (!𝚛𝚎𝚜𝚙𝚘𝚗𝚜𝚎.𝚘𝚔) {
       𝚛𝚎𝚝𝚞𝚛𝚗 { 𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍: 𝚏𝚊𝚕𝚜𝚎, 𝚖𝚎𝚜𝚜𝚊𝚐𝚎: "𝙴𝚛𝚛𝚘 𝚗𝚊 𝚌𝚘𝚗𝚜𝚞𝚕𝚝𝚊" };
   }
   𝚌𝚘𝚗𝚜𝚝 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛 = 𝚊𝚠𝚊𝚒𝚝 𝚛𝚎𝚜𝚙𝚘𝚗𝚜𝚎.𝚓𝚜𝚘𝚗();
   𝚛𝚎𝚝𝚞𝚛𝚗 {
       𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍: 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛.𝚊𝚌𝚝𝚒𝚟𝚎,
       𝚗𝚊𝚖𝚎: 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛.𝚗𝚊𝚖𝚎,
       𝚌𝚊𝚝𝚎𝚐𝚘𝚛𝚢: 𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛.𝚌𝚊𝚝𝚎𝚐𝚘𝚛𝚢
   };
}

Este trecho de código encapsula as lógicas de autenticação, chamadas HTTP e validação corporativa.

Em seguida, neste mesmo arquivo ou em outro local do projeto, deve-se registrar a extensão com metadados, a fim de torná-la um bloco reutilizável dentro de qualquer processo.

$𝚚𝚗𝚝𝚛𝚕.𝚎𝚡𝚝𝚎𝚗𝚜𝚒𝚘𝚗.𝚛𝚎𝚐𝚒𝚜𝚝𝚎𝚛("𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊𝚝𝚎𝚅𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛", {

   𝚍𝚒𝚜𝚙𝚕𝚊𝚢𝙽𝚊𝚖𝚎: "𝚅𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊çã𝚘 𝚍𝚎 𝙵𝚘𝚛𝚗𝚎𝚌𝚎𝚍𝚘𝚛",

   𝚒𝚗𝚙𝚞𝚝𝚜: ["𝚟𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛𝙸𝚍"],

   𝚘𝚞𝚝𝚙𝚞𝚝𝚜: ["𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍", "𝚗𝚊𝚖𝚎", "𝚌𝚊𝚝𝚎𝚐𝚘𝚛𝚢"],

   𝚖𝚎𝚝𝚑𝚘𝚍: 𝚟𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊𝚝𝚎𝚅𝚎𝚗𝚍𝚘𝚛

});

 

Vantagens para a comunicação entre TI e negócio 

Para as equipes de TI, o Qntrl garante todas as regras técnicas concentradas em extensões versionadas, evitando a dispersão de código por departamentos. As integrações passam a ser centralizadas e reutilizáveis, reduzindo duplicidade e garantindo padrões. Qualquer alteração técnica passa obrigatoriamente pelo pipeline do Studio, com versionamento, revisão e implantação controlada.

Já as áreas de negócio ganham autonomia para ajustar fluxos sem depender de chamados recorrentes para TI. Com extensões prontas e bem definidas, elas conseguem montar processos mais complexos sem precisar escrever código. E a comunicação entre TI e negócio melhora porque o processo passa a ser visual e compartilhado no mesmo ambiente

O resultado final é menos retrabalho, menos automações duplicadas e menos erros de interpretação entre as equipes. Afinal, o Studio não substitui desenvolvedores, mas os potencializa. E, ao mesmo tempo, empodera os analistas para evoluir processos sem riscos.

Possibilidades do Qntrl

O módulo Studio também permite que desenvolvedores criem circuitos de orquestração que integram múltiplos sistemas ou automatizam tarefas de backend. Ao combinar estas capacidades ao framework de extensões, o resultado é uma camada que funciona quase como um middleware low-code.

Logs, métricas, históricos de execução e indicadores de sucesso ficam disponíveis diretamente na plataforma, eliminando a necessidade de ferramentas adicionais para análise de integrações.

Esta abordagem aproxima TI e negócio porque ambos passam a trabalhar no mesmo ecossistema. Para o negócio, o processo é visual, compreensível e adaptável. Para TI, o código é modular, controlado e testável.

 

* Artigo escrito pelo jornalista e desenvolvedor Rafael Bruno.